E não emocional, como você costuma pensar e até falar. Quando você vivencia perdas e erros ao operar, muito disso vem da sua falta de percepção de comportamentos inadequados que te levam a ter quadros emocionais ruins. Se você aprender a romper ou a abandonar comportamentos que geram ansiedade – como ficar mexendo a perna freneticamente, certamente você não se sentirá mais ansioso. Percebeu o truque para enganar seu cérebro de um jeito positivo?

Tocar nesse assunto é um bocado delicado porque você precisa se perceber e agir para mudar. E como na vida pessoal e no mercado financeiro você é a mesma pessoa, identificar seus pontos fracos e reforçá-los de forma positiva (e não usá-los para se vitimizar ou para justificar seus fracassos) resolvem o gargalo que te impede de prosperar – seja na vida ou no mercado.

Essa ação focada na mudança consciente é a virada de chave que pode estar faltando para você chegar no topo – repetimos: na vida e no mercado. Quer ver? Faça o esforço de acompanhar este post todo, do começo ao fim (mesmo que o seu cérebro fique te sabotando, dizendo que esse texto é longo). Rompa com comportamentos ruins, em cada pequena atitude, e você verá os frutos da mudança na sua vida. Acompanhe agora alguns conceitos importantes.

Entenda como você funciona

Para a gente explorar esse rico universo do cérebro e do comportamento, é importante conceituar cinco importantes aspectos do ser humano.

Emoção: é um conjunto de respostas químicas e neurais baseadas nas memórias emocionais. A emoção surge quando o cérebro recebe um estímulo externo.

Sentimento: é uma resposta à emoção e diz respeito a como uma pessoa se sente (e reage) diante daquela emoção.

Comportamento: é o conjunto de ações físicas e emocionais que estão associadas a um indivíduo ou mesmo a um grupo social. Diz respeito às nossas respostas aos mais variados estímulos do dia-a-dia. O comportamento tem origem interna e é proveniente da interpretação do cenário (também chamado de território), interpretação essa feita pelo nosso padrão de crenças (ou mapa mental).

Padrão de crenças: é o conjunto de convicções que determinam a forma como um indivíduo encara a vida e sobre as quais é construída a personalidade.

Personalidade: é o conjunto de características (sentimentos, medos, expectativas, anseios, decisões etc.) capazes de gerar respostas comportamentais. Essas características tem a ver com o indivíduo e sua interpretação geral do contexto em que ela (a personalidade) foi construída.

Percebe como tudo está intrinsecamente conectado? Cabe uma reflexão aqui. Pare e se pergunte: seu padrão de crenças é limitante? Será que não é isso que te impede de prosperar? Será que não é isso que te impede de agir de formas diferentes na vida e no mercado?

Quem manda na casa é você

O seu cérebro não tem formados conceitos como certo e errado. É você, com a sua vivência, com os ensinamentos recebidos daqueles que te cercam, com os exemplos que você presencia, que define o que é certo e errado. Essa definição é amplamente compartilhada como um conceito moral pela sociedade me que você está inserido. Conclui-se que, o que existe para o cérebro é resultado positivo ou negativo; vivências boas ou ruins; reforço positivo ou negativo de uma situação que você viveu.

Na psicologia, diz-se que toda ação tem uma intenção positiva por trás. Mesmo uma ação que socialmente é tida como errada pela maioria, para aquele que a pratica, ela é, se não moral, necessária.

Mas, peraí: então um psicopata mata porque acha certo matar? Sim, na cabeça dele é isso que ele tem de fazer. Então, dá para dizer o mesmo de quem fuma? Sim, uma pessoa que fuma, sabe que fumar faz mal à saúde, mas continua fumando por causa do que na psicologia a gente chama de ganho secundário (no caso do psicopata a lógica é a mesma).

Para te proteger daquilo que você não é (por exemplo, capaz de parar de matar ou parar de fumar) e te proteger daquilo para o que você não foi criado para ser, o seu cérebro trabalha de forma a te convencer que determinadas atitudes são boas, normais, necessárias, seguras etc.

Dá para aplicar esse conceito de ganho secundário à procrastinação, ou seja, o mal hábito de deixar coisas para fazer depois. Você não faz o que tem de fazer – pode ser começar a estudar firme para ser um trader fera, por exemplo – e o seu cérebro arranja (pode ter certeza de que ele arranja) um jeito de te convencer de que isso pode ficar pra depois mesmo. Tudo por uma questão instintiva de economia de energia – nem é por preguiça, viu? Seu cérebro acaba te sabotando – mas com a melhor das intenções – para economizar energia e te proteger de tempos difíceis que podem vir pela frente (vai que precisa, né?).

Identificar situações que têm a ver com isso que acabamos de explicar é o primeiro passo para você (re)agir. Uma das formas de ação é quebrar um dos elos dessa cadeia, atacando maus comportamentos. Pode ser parar de mexer a perna freneticamente. Se você dominar a perna e o seu cérebro inventar de sacudir um ombro ou coçar a cabeça, rompa esse padrão também. Faça isso conscientemente a partir de agora e você deixará claro que quem manda na casa é você.

Com isso, seu cérebro vai entender que não é mais necessário responder com determinados sentimentos (como a ansiedade, a raiva explosiva, o medo paralisante) a emoções que te atingem no seu dia a dia. Ele vai entender que você não precisa mais desse tipo de recurso para enfrentar situações difíceis. Ele para de te dar como alternativa de alívio às tensões essas rotas instáveis e incertas.

O que isso tem a ver com o mercado financeiro?

Você pode não perceber, mas muitas das suas crenças são limitantes e atrapalham seu desempenho no mercado. Quando criança, você pode ter ouvido a seguinte frase: “Menino, dinheiro é sujo! Vai lavar essa mão porque você mexeu em dinheiro!”.

Para além da questão objetiva da higiene, fica gravado também no seu cérebro a informação generalizada de que dinheiro é sujo em vários outros aspectos. Para simplificar a vida e seu próprio funcionamento, o cérebro generaliza informações. Disso vêm afirmações como: “Ah, fulano é rico porque é picareta. Só ficou rico porque fez coisa errada e conseguiu dinheiro sujo, certeza!”. Esse tipo de crença gera um bloqueio.

Você acredita nessa afirmação de tal forma (não importa se consciente ou inconscientemente) que você não consegue se ver tendo ou lidando com muito dinheiro. Se você ganhar, logo vai perder porque você não acredita que aquilo é para você.

Outra crença limitante muito comum: ter orgulho é pecado. Daí, num dia de operação em que você tem uma performance de monstro, você nem comemora, não se dá sequer um presente. Tem mais é que comemorar para ensinar para o seu cérebro que ele tem um ganho secundário muito do bom quando te ajuda a chegar naquela conquista.

Adquirir conhecimento técnico para se tornar um trader lucrativo é essencial. Mas de nada vai adiantar ter todo o conhecimento se os seus comportamentos te sabotarem durante suas operações. Rompa com o que não vai te levar ao topo e, então, ponha em prática todo o seu conhecimento. Essa receita é infalível.

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