Por mais estranho que possa parecer dizer que “operar com pouco dinheiro é muito mais difícil”, essa é a mais pura verdade. Só que tem muita gente que distorce essa máxima por não entender a complexidade do fator capital disponível.

Compreender o que dá ou não dá para fazer com o capital que você tem em mãos passa por analisar e executar ações de alavancagem, gerenciamento de posição e otimização de operação. Para usar tudo isso em suas tomadas de decisão, você precisa conhecer e usar as ferramentas de análise apropriadas para cada mercado. De exemplo em exemplo, fica mais fácil você entender como cuidar de todos esses aspectos enquanto opera.

A maioria dos profissionais, ou por influência de professores ou por pura falta de conhecimento, começam pelo índice futuro. Só mais tarde, depois de adquirir um pouco mais de experiência, começam a buscar outras alternativas para operar.

Micro lotes são alternativas

Se você opera ações, não pode se dar ao luxo de usar a alavancagem a seu favor – pelo menos, não do mesmo modo que usa no mercado futuro. Você até pode usar alguma alavancagem se faz DayTrading em ações, mas se for trabalhar no médio e/ou longo prazos vai precisar de muito mais capital para começar a ver seus resultados terem algum impacto financeiro em sua vida.

Muitas vezes, quando o trader está no início de sua caminhada e quer treinar sem arriscar muito de seu capital, pode buscar corretoras de CFDs. Nelas há a chance de operar micro lotes. Os micro lotes são lotes muito pequenos, de centavos, muitas vezes.

Enquanto no Brasil você só poderia comprar 100 ações de Petrobrás em um bloco, em uma corretora de CFD você pode comprar 0,1 lote desse mesmo ativo. Essa é uma excelente oportunidade para quem quer começar já sentindo o “calor” do mercado, mas não tem ou não quer arriscar muito capital.

Outros caminhos para operar

Alguns mercados também permitem operar contratos futuros por meio de micro lotes. Nos EUA, caso você não queira ou não tenha capital suficiente para operar um mini contrato de S&P500 (onde cada ponto varia 50 dólares), você pode operar micro lotes do mesmo ativo, com o ponto variando apenas 5 dólares.

Outro bom exemplo é o de alguns traders que operam DI futuro no Brasil ou operam títulos do tesouro no Brasil ou nos EUA. Esses são ativos que, em função da sua “estrutura” e dinâmica, só podem se operados com uma grande quantidade de capital investido. Eles projetam enormes lucros, mas podem também ocasionar perdas gigantes e assustadoras.

Um último exemplo mais viável seria o mercado de opções. Neste mercado, principalmente nos EUA onde há liquidez absurdamente alta, você consegue se expor (com perdas totalmente controladas e limitadas), com potenciais de ganhos altíssimos (em muitos casos chegando a 1000% ou até mais), mas podendo começar com tão pouco como alguns centavos para comprar Puts e Calls, “longe do dinheiro” e no vencimento correto.

Conte com o que você tem

O que você possui de conhecimento também pode determinar fortemente o seu sucesso ou insucesso no mercado financeiro. A maioria dos que buscam iniciar sua jornada, aprendem a boa e velha análise gráfica clássica. Talvez pela facilidade e simplicidade. Talvez pela quantidade de material de fácil acesso e barato sobre esse assunto. Talvez pelo escasso recurso financeiro para investir em informações mais profissionais e eficientes.

Dois dos maiores benefícios da análise técnica clássica são que ela não requer um nível de análise muito profundo e sua metodologia básica e simplista se ajusta a praticamente qualquer mercado. Daí, vem seu forte apelo junto ao público de varejo. (leia mais aqui sobre os motivos pelos quais a análise gráfica clássica não funciona). 

O que precisa ser dito é que os resultados obtidos com a aplicação da análise gráfica clássica são igualmente fracos e proporcionais à fragilidade deste tipo de análise. Do ponto de vista prático, a análise gráfica clássica funciona suficientemente bem para se operar ações no DayTrading e no Swing Trading. Com um boa leitura gráfica e com muita disciplina já é possível ter resultados satisfatórios nesse mercado.

O problema surge num segundo momento, quando o trader começa a ficar mais profissional e busca ativos mais interessantes, mais alavancados e com maior potencial de ganhos. Nessa hora, o profissional percebe que precisa também se tornar mais técnico. Ser técnico significa usar diversas ferramentas confiáveis para que se tenha uma vantagem competitiva em algum mercado.

Análises técnicas vão te levar mais longe

É por isso que dizemos que a análise técnica é completamente diferente da análise gráfica. Especialmente a análise técnica discricionária – que é a que usamos. Neste último tipo de análise, incluímos a análise gráfica e também análises de fluxo, volume, preço, metagame, sentiment research (análise de sentimento de mercado), contexto macroeconômico global e interno, além de outros itens como a avaliação de regiões de interesse de negociação, lei de oferta e demanda e rastreamento de frequência de mercado.

Quanto mais se avança para a “Fórmula 1” dos mercados, mais necessárias se fazem estas ferramentas todas. Só assim é possível atingir resultados satisfatórios. Apenas com análises básicas e simplistas, como feito com as ações, é praticamente impossível ter algum resultado minimamente bom em mercados futuros. Isso ocorre em função da velocidade, da liquidez, da volatilidade e do dinamismo próprios desses mercados.

Uma técnica apurada também traz vantagem no longo prazo

Outro exemplo claro do quanto ter técnica em análise é valioso se vê quando é necessário traçar estratégias de investimento a longo ou longuíssimo prazo, como em Position Trading e Buy’n Hold. Em função da estratégia e do objetivo dessas operações, estas modalidades exigem que o investidor tenha uma boa noção de análise fundamentalista. Trata-se da análise das empresas em que se pretende investir e de cenários macroeconômicos em que estas estão inseridas.

É tão prejudicial a falta destes conhecimentos para a aplicação no mercado como o uso indevido de uma análise fora de contexto. Também pode causar prejuízos desastrosos o uso de um ativo que não se enquadre em uma modalidade de análise específica.

Usar análise fundamentalista para operar no curto prazo ou apenas a análise técnica para o Buy’n Hold podem derrotar o trader que inicia no mercado. O mesmo vale para aquele que tentar usar apenas a análise gráfica para operar futuros. Em termos de conhecimento técnico (de boa qualidade, claro), mais é sempre melhor quando se trata de mercado financeiro. Assim, até um pequeno capital inicial, alocado apropriadamente, pode prosperar.

VIDA DE TRADER

Um antídoto contra enormes prejuízos no dólar futuro

Um trader nos procurou após ter feito diversos cursos de análise gráfica simples porque estava tentando operar dólar futuro e estava amargando um enorme prejuízo financeiro. Quando questionado se prestava atenção a alguns indicadores econômicos, se entendia como identificar a posição dos maiores players do dólar, se sabia porque e como estes grandes players atuavam no dólar, ou se sabia o que era um ajuste diário, essa pessoa afirmou que não tinha conhecimento algum de nenhuma destas variáveis – e estas são variáveis consideradas básicas para quem quer operar dólar futuro, além de algumas outras.

Em muitos casos – como na situação desse trader – não é necessário mudar toda a abordagem operacional. Para esse profissional aprender a fazer o gerenciamento de sua posição seria o antídoto contra tanto prejuízo. Construir um bom plano de trading (e aprender a segui-lo fielmente) também o ajudaria.

Tudo isso são coisas básicas, mas porque têm origem num universo institucional de bancos, fundos de investimento e tesourarias, muito pouca gente acessa e aciona esse conhecimento. Muitos passam a vida sem nunca ouvirem falar sobre esses aspectos do mercado.

É por isso, talvez, que vemos a grande maioria dos players não atingindo sucesso nesse mercado. Simplesmente porque estão usando as ferramentas erradas, nos mercados e nos ativos errados, com o contexto errado, algo completamente diferente do que um profissional faria.

Insistimos muito para que as pessoas busquem os conhecimentos e as ferramentas corretos para cada atividade que farão. O mercado financeiro, de modo geral, é uma atividade de altíssima performance e não permite margem de erro. É o mercado mais agressivo e sanguinário do planeta, onde estão as maiores mentes e onde estas mentes gastam quanto dinheiro for necessário para desenvolverem as ferramentas mais eficientes e ágeis de todo o mundo.

Achar que podemos entrar nesse mercado e competir com esses “caras” usando um tablet, alguns padrões de candles, figurinhas geométricas, enquanto estamos sentados na beira da praia, é o mesmo que pedir uma corda e caminhar sozinho para a forca.

A importância do contexto para operar commodities

Não faltam histórias de traders que erram tentando acertar. Um dos que tivemos contato recentemente decidiu que queria operar contratos futuros de commodities agrícolas. Ele estava bastante confiante em seu entendimento de macroeconomia, mas se esqueceu de aprender sobre as particularidades econômicas e contextuais daquele mercado.

Enquanto operava futuros de commodities, ele não se atentou que estes ativos podem ser afetados pela economia chinesa, que importa grãos de economias como EUA e Brasil. Não percebeu que o preço do trigo sofre influência dos indicadores de empregos na Argentina (maior exportador desta commodity) ou que o movimento dos preços do milho sofre interferência direta dos processos de estiagem e alagamento nos EUA. Por fim, não sabia que o mercado de boi gordo e suíno tem relação direta com o preço do milho e da soja, ambos usados na ração animal.

Estes são apenas simples indicações que demonstram a complexidade que serve de pilar para o mercado de commodities. Tempos depois, ele percebeu que para que tivesse um sucesso razoável nesse mercado, seria preciso que se apoderasse destas informações, e tantas outras, para que conseguisse tomar decisões eficazes e realmente profissionais no mercado financeiro.

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