Você se acha inteligente? Se a resposta for sim, é melhor você tomar cuidado com isso. Esse pode ser um dos motivos pelo qual você ainda não teve sucesso na vida pessoal e de trader.

Quando você relaciona sucesso a inteligência, você pode cair na armadilha de colocar todas as suas fichas na inteligência e esquecer do valor do esforço. Sem esforço suficiente, você acaba não chegando onde gostaria de chegar.

Tá, digamos que você seja inteligente e que sempre se esforça bastante em tudo o que faz. Ainda assim, você não obteve o sucesso que queria – em especial, no mercado financeiro. Pode ser que você tenha dedicado tempo e esforço para estudar o que não funciona. Mas se nessa equação inteligência e esforço você sempre der mais peso para a inteligência, pronto, tá aí uma das possíveis explicações para o seu fracasso.

Estudos comprovam o valor do esforço

E não é a gente que está dizendo isso. Essa teoria é objeto de estudos. Em 1998, a professora e psicóloga americana Carol Dweck iniciou uma interessante pesquisa com crianças em escolas para entender como elas lidavam com o fracasso. Após quase uma década de análises e reflexões, Dweck demonstrou suas descobertas no livro Mindset – A Nova Psicologia do Sucesso, disponível em português desde 2017.

De forma bem simples, a psicóloga explica que existem dois tipos de mindset (ou padrões mentais): o mindset fixo e o mindset de crescimento. No padrão fixo, o indivíduo acredita em seus talentos e capacidades (na sua inteligência, dá pra assim dizer). Enquanto isso, no mindset de crescimento, a pessoa faz tudo o que faz com o objetivo de aprender, logo esforçar-se e lidar com erros e fracassos faz parte desse processo de aprendizado.

“Esse mindset de crescimento se baseia na crença de que você é capaz de cultivar suas qualidades primordiais por meio do esforço. Embora as pessoas possam diferir umas das outras de muitas maneiras — em talentos, aptidões iniciais, interesses ou temperamento —, cada um de nós é capaz de se modificar e se desenvolver por meio do esforço e da experiência”, resumiu a professora em uma das passagens de seu livro.

A pesquisa na prática

Dá pra entender melhor de onde saíram esses conceitos ao ver por quais experiências as crianças analisadas passaram. Uma das rodadas de testes teve intervenções interessantes dos pesquisadores.

Foram dadas três séries de enigmas para esses estudantes de 5º ano resolverem. Independentemente dos resultados reais, o feedback dos pesquisadores em relação ao desempenho de todos na primeira fase foi o seguinte: “Ah, vocês todos alcançaram resultados fantásticos. Parabéns!”.

Olha a sacada que veio em seguida. Os alunos foram separados em duas turmas. Para o primeiro grupo, os pesquisadores disseram que o sucesso no teste foi alcançado porque eles eram muito inteligentes, muito além da inteligência das outras crianças. Já para o segundo grupo, disseram que os resultados positivos vieram porque eles se esforçaram muito, muito mais do que os outros estudantes.

Segunda bateria de testes

Após esse primeiro feedback, a segunda rodada de enigmas foi apresentada. Mas, dessa vez, os pesquisadores disseram aos estudantes que todos foram muito mal na avaliação, acertando menos de 50% das questões (isso, independentemente do desempenho real de cada um).

Diante desse retorno negativo, as crianças preencheram um formulário em que deviam relatar como estavam se sentindo diante da situação. As repostas dos dois grupos foram bem distintas.

Os alunos que foram supervalorizados pela inteligência se mostraram muito menos interessados em se esforçar mais para resolver os dilemas. Em resumo: se mostraram muito mais desmotivados pelo fracasso, acreditando que não tiveram um bom desempenho porque eram menos inteligentes. 

Essas “crianças mais inteligentes” nem esboçaram soluções para reverter o fracasso. Já os estudantes que foram valorizados pelo esforço, entenderam que deviam ter se esforçado mais para se sair melhor. Assim, concluíram que se fizerem isso na próxima oportunidade, alcançarão melhores resultados.

Terceira rodada de testes

Na reta final da análise, logo após a terceira bateria de testes, os estudiosos compartilharam os resultados reais com os alunos. E o que aconteceu? As crianças que foram valorizadas pelo esforço conseguiram melhorar seu desempenho em relação às duas provas anteriores. Já os estudantes valorizados pela inteligência demonstraram uma piora nos resultados do terceiro teste.

As “crianças esforçadas” abraçaram a causa e deram o máximo de si na hora de resolver os enigmas mais difíceis e se superaram. Do contrário, as “inteligentes” já estavam totalmente desmotivadas, dando a derrota como certa. Daí, não conseguiram melhorar em nada.

Os esforçados acreditaram que a capacidade deles era mutável, fluída, diretamente ligada ao esforço empenhado em cada tarefa. Na observação da psicóloga Dweck, esse tipo de pensamento gera mais facilidade para lidar com erros. É um tipo de mentalidade voltada para o crescimento.

O que isso tem a ver com o mercado?

Um dos tipos mais raros de mentalidade de se encontrar nas pessoas é justamente esse, a de crescimento. A maioria das pessoas tem um padrão fixo mental. São acomodadas, preferem ficar em suas zonas de conforto. Em geral, são desmotivadas e não acreditam em si próprias.

No mercado financeiro, essas pessoas são aquelas que procuram fazer parte de “salas de sinais” ou “salas de call” (grupos que indicam tendências de mercado para ajudar nas operações), por exemplo. São aqueles que procuram aplicar na movimentação do mercado os famosos setups mágicos. Essas pessoas se tornam dependentes de terceiros. São meros clicadores de mouse.

Em vez disso, basta sentar e estudar (por horas, por dias, por meses) o que tem de ser estudado. O mercado não é lugar para quem quer facilidades e atalhos. É preciso se esforçar para entrar nesse jogo que reúne as melhores mentes do mundo. Certamente, cultivar um mindset de crescimento é um dos aspectos que vai te ajudar a jogar esse jogo.

Três dicas para desenvolver seu mindset de crescimento

Um mindset fixo pode ter relação com a sua criação e com acontecimentos marcantes de sua vida, mas não é algo imutável. Identifique e procure entender porque seu cérebro funciona assim e rompa com os padrões que te prendem a sequências de fracassos na vida. Confira abaixo três aspectos que você tem de por atenção para desenvolver um padrão mental de crescimento.

Autoconhecimento

Melhore o seu. Enxergue suas fraquezas e reflita sobre como superá-las. Use cada nova situação difícil da sua vida para testar um novo comportamento, mais positivo e mais focado em soluções. Depois, pense sobre o que você viveu, o que testou de diferente e o que deu certo. Assim, você vai poder repetir atitudes bem-sucedidas.

Resolva problemas difíceis sempre que aparecerem

Vença a sua falta de vontade para executar tarefas que demandam tempo e esforço. Faça o que você tem de fazer, sem preguiça e sem procrastinar. Rompa a inércia que te mantém em uma vida medíocre e sem aprendizados.

Disciplina

Nem que seja à força, cultive e mantenha uma vida disciplinada, em tudo. Com o tempo, essa postura se tornará natural para você. Ao acordar, logo arrume a sua cama. Depois de almoçar, logo lave a louça. Disciplina significa fazer o que é necessário, mesmo que você não ame fazer aquilo. Isso inclui organizar a sua mesa de trabalho, os armários da sua casa ou o interior do seu carro. Tudo o que você fizer, faça bem-feito. Sendo bem-feito, dificilmente terá de ser feito duas vezes. Assim, sobrará tempo para você fazer o que você mais gosta. Se você se esforçar, vai conseguir.

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