Assim como acontece com um investidor de longo prazo, você como trader também tem de fazer um exercício de análise para identificar em qual tipo de mercado você se sente mais confortável. De início, todo trader que começa a operar no mercado financeiro se depara com uma variedade muito grande de ativos. E, então: quais desses ativos você deve escolher? Isso vai depender de seu perfil e identidade no mercado.

A maioria dos profissionais, ou por influência de professores ou por pura falta de conhecimento, começam pelo índice futuro. Só mais tarde, depois de adquirir um pouco mais de experiência, começam a buscar outras alternativas para operar.

Fuja do efeito manada

É muito comum ver grande parte dos traders oscilarem freneticamente pelo mercado. Podemos enumerar três fatores principais que justificam isso: busca de reverter a sua falta de resultados; tentativa de adequar suas práticas ao tamanho da conta que operam; ou dificuldade com o componente emocional. Acaba que eles nunca alcançam os resultados que desejam e, pior ainda, nem se dão conta de seu perfil de mercado. E é no desrespeito a esse perfil que pode estar a causa do fracasso.

Costumamos dizer que você não precisa ser um trader de mini índice só porque a maioria das pessoas que você conhece faz isso. Você pode não se dar bem no índice, mas, com um pequeno ajuste, pode se dar muito bem nas ações ou pode se tornar um mestre em opções. Mas para isso você precisa enxergar seu perfil e entender no que você já é bom. Com um pouco mais de treino e técnica, você verá que poderá ser ainda melhor.

Às vezes, você não tem perfil para ser trader, mas pode ser um tremendo analista financeiro ou um exímio captador de investimentos. O importante é descobrir sua identidade no mercado financeiro e não cair na armadilha do efeito manada – fazer algo só porque todo mundo está fazendo.

Alguns fatores, que exploramos a seguir neste post, te ajudam a identificar que mercado ou mercados são a melhor opção para você. Pode ser que mais do que um mercado combine com a sua maneira de operar. Em especial se também considerarmos dados objetivos que fazem parte do seu perfil, como disponibilidade de capital, possibilidade de alavancagem, complexidade de operações, liquidez, entre outros.

Tamanho da conta inicial

Para demonstrar como o tamanho da conta inicial é decisivo no seu sucesso (ou insucesso) vamos usar um exemplo real de trader, um que começou a operar mini índice com 100 reais na conta. Cada 100 pontos que o mini índice se movimenta representa 20 reais. Ou seja, 20% do valor total da conta.

Considere que 100 pontos é uma quantidade razoável para um trader iniciante ter como meta (tanto de ganho quanto de perda) em cada operação. Pelo menos é como a grande maioria pensa por aí.

Na realidade, esse trader vai quebrar sua conta muito rapidamente e encerrar seu aprendizado (e muitas vezes desistir da profissão) pelo simples fato de não ter um caixa inicial correto para começar a operar. Aqui é necessário abrir um parêntese e explicar o que é alavancagem e o que é margem.

Alavancagem é um “empréstimo” que sua corretora faz para te permitir operar em um determinado mercado. Como talvez você não tenha todo o dinheiro para acessar um lote completo de uma operação, então a corretora financia a maior parte do valor da operação para você. Entretanto, a corretora só te permite alavancar (às custas dela) se você tiver uma margem de saldo na sua conta compatível com a alavancagem que você deseja receber.

O ideal é considerar que esse trader de nosso exemplo não deve arriscar mais do que 2 ou 3% de seu capital em uma única operação. Isso significa que ele precisaria de, pelo menos, mil reais para iniciar sua jornada. Essa é a margem mínima que recomendamos para aqueles que querem operar contratos futuros de mini índice ou mini dólar (para o mini dólar recomendamos um pouco mais ainda de saldo, algo em torno de 2 mil reais).

Você não quer ser um “mão de alface”, certo?

Todo mundo que já abriu uma ordem no mini índice, mesmo sem ter experiência alguma, sabe o quão rápido esse ativo “anda” 100 pontos. Muitas vezes, é questão de segundos. É rápido tanto para dar lucro quanto para te dar um stop e um prejuízo bem “salgado”.

Esse cenário acaba forçando o trader a começar a fazer Scalping (operações curtas que buscam ganhos bem pequenos). Aqui, três questões comportamentais bem ruins começam a tomar corpo.

Primeira: o trader se vicia em operar muito curto e não aprende a gerenciar sua posição para conquistar ganhos maiores no mercado. Sem aprender a fazer parciais, alavancagens e desalavancagens, sem fazer gestão de posição e calcular seu Position Size, seu risco retorno e seu PayOff corretos, esse trader se vicia em operações pequenas e nunca mais (ou quase nunca) consegue mudar essa conduta. Ele vira o “mão de alface”. Já se viu nesta situação?

A segunda questão é que uma única operação em que ele erre (mesmo que tenha acertado muito antes) pode ser o suficiente para gerar um prejuízo tão grande (por causa de um PayOff fraco) que já é o bastante para quebrar a conta dele.

Terceiro: quando ele entender que Scalping não vai conduzi-lo a um resultado satisfatório, ele vai começar a assumir mais risco do que o permitido em cada operação. O resultado a gente já qual será: quebra total da conta.

Em resumo, a sugestão é que você comece pelo mercado com o qual você mais se familiariza e, portanto, é o que mais te deixa confortável para operar. Aos poucos, ao experimentar outros mercados, você vai percebendo em quais você se sai bem e em quais falta ou habilidade ou mesmo controle emocional para arriscar-se. A sacada aqui é perceber-se e investir em mais treinamento e estudo naquilo que você logo percebe que leva jeito.

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