Sempre que se tem um problema para resolver na vida – e esse problema pode ser o medo de operar no mercado financeiro, um bom caminho para solucioná-lo é buscar a sua origem. Identificar o medo exagerado de perder dinheiro, de falhar, de decepcionar os outros é o primeiro passo para se aprofundar na busca de suas causas. 

Uma estratégia é rastrear essa origem a partir da observação de comportamentos que você tem. Esse tema rende tanto que fizemos esta e uma outra reportagem sobre esse tema, que você acessa aqui.

Existe um padrão de comportamento atrelado ao medo que é fácil de identificar, em especial quando alguém está começando a operar. Observe se você não está sofrendo desse mal. Trata-se de uma tendência de reação a eventos problemáticos da vida chamada de esquiva fóbica. 

Funciona assim: na presença de uma situação que ameaça ou incomoda, o indivíduo se vê tomado por ansiedade (fica ali pensando em tudo de ruim que pode acontecer porque ele já “viu esse filme”) e, então, reage por meio da esquiva fóbica. Essa pessoa escapa, elimina, adia, evita ou – pior de tudo – desqualifica o processo que está vivendo.

Se é alguém que está errando e perdendo dinheiro no mercado financeiro, ele vai soltar pérolas do tipo: “Ah, pra fazer isso, tem de ter dom. Eu não sirvo pra isso”. Ou então: “Quer saber? Eu gosto de fazer outra coisa. Isso não dá certo pra mim”. Essas são claras demonstrações de medo, a tal da esquiva fóbica – para usar aqui esse termo mais técnico.

Problemas que o medo te traz

Agir e reagir o tempo todo com base em medo vai te trazer uma série de problemas no mercado financeiro. Dois deles são os mais severos: falta de disciplina e medo de operar. 

Quem dá muito espaço para o medo, fica toda hora ansioso e não consegue ter disciplina em suas ações no mercado. Pode observar. A ansiedade – olha ela aqui toda hora – impacta de forma negativa o desempenho de qualquer trader.

Sem ter disciplina, suas oscilações vão trazer problemas, por exemplo, quando você mudar o seu STOP de lugar toda hora ou não acioná-lo quando precisar. Vai ser problemático da mesma forma você realizar ganhos rápido demais. Isso para citar só alguns exemplos.

Mas o problema mais severo de todos será o medo de operar. Isso pode te paralisar. E aqui a gente tem de retomar um conceito de medo intrínseco do ser humano, o medo de ser rejeitado. É pelo medo de ser rejeitado – muito mais do que pelo medo de perder dinheiro –  que você se sente incapaz de operar.

Essa paranoia de ser rejeitado vem misturada ao medo de admitir que você errou e o medo de falhar diante daqueles para quem você quer provar seu sucesso. Sabe aquele primo chato que sempre te falou para não entrar nessa de mercado? É para esse cara que você está dedicando a sua energia, tentando provar algo. Tanto medo junto vai te fazer ficar na conta demo a vida inteira. 

Ninguém por livre e espontânea vontade age para ser expulso de um grupo – no caso, o grupo de operadores de mercado. Por isso, o seu cérebro vai arranjar um monte de justificativas para amenizar o impacto do difícil sentimento de fracasso e rejeição provenientes de seus medos. Esse processo de sabotagem do seu cérebro – iniciado com a melhor das intenções de te proteger (a gente explica isso na primeira reportagem que escrevemos sobre medo, fica aqui o link de novo para você) – pode te impedir de persistir.

Tem luz no fim do túnel

Ainda bem que tudo isso pode ser transformado graças ao poder de neuroplasticidade do nosso cérebro. O neurocientista Eric Kandel, Nobel de Medicina e Fisiologia, provou como o cérebro humano é capaz de modificar estruturas e funções ao longo de sua vida.

Mas esse tipo de mudança não ocorre por mágica. O tempo, por si só, não muda as pessoas. Do contrário, ele reforça padrões que cada um tem. Segundo o médico e pesquisador, é necessário uma intervenção técnica pontual ou um trauma muito forte para o cérebro mudar física, química e fisiologicamente.

Essa capacidade de criar novas arborizações neurais permite ao órgão desenvolver novas formas de interpretação de fatos. Esse aprimoramento cerebral desemboca no que a gente costuma chamar na One Way de processo de vingança.

O nome é forte porque se trata de um processo de mudança profunda no cérebro e que gera resultados no comportamento e, logo, no desempenho no mercado. Tanto que ao final desse processo, é bem comum o indivíduo que mudou ouvir o seguinte de amigos e colegas: “Eu não te reconheço mais”. Esse processo se dá em fases. Veja:

1) Primeiro, vão te ignorar.

2) Depois, começam a rir de você.

3)  Em seguida, você começa a prosperar e isso vai incomodar tanto que você vai começar a ser criticado.

4) Como você não se abala com nada disso, quem te criticava, passa a prestar atenção em você.

5) Então, esses começam a ser seus amigos para, por fim,…

6) Começarem a te copiar.

Virada de jogo consciente

Essa virada de jogo tem início de dentro para fora, com você decidido a tomar as rédeas da sua vida. Alguns exercícios de PNL (Programação Neurolinguística) ajudam você a controlar os medos que podem te cegar no mercado. Vamos citar alguns rapidamente:

Ressignificar a ansiedade: ela é apenas a sua percepção da realidade. A maioria das situações que a ansiedade gera no seu cérebro e que refletem no seu comportamento, sequer vai ocorrer. É como se uma criança agisse no seu corpo de adulto. Rompa com esse padrão e coloque a cabeça de um adulto para interpretar tudo isso. Uma estratégia é questionar o seu cérebro sobre as raízes da sua ansiedade. Pergunte-se o seguinte quando estiver ansioso:

– Por que isso me deixa tão ansioso?

– Que significado essa situação tem na minha vida para me deixar tão ansioso?

– De quais duas novas maneiras eu posso ver, perceber e sentir essa situação que me deixa tão ansioso?

Conseguiu respostas? Execute na prática e comprove o que funciona para você. Seu cérebro não vai refutar essa estratégia porque é ele que vai dar as respostas.

Interromper processos físicos: a ansiedade é o resultado de uma cadeia de eventos que te gera alterações comportamentais. Você começa a pensar em situações hipotéticas, isso gera questões químicas e fisiológicas em você, disso surgem comportamentos físicos e só depois aparece a ansiedade. Se você entender que basta romper um elo dessa cadeia para impedir que a ansiedade apareça, pronto (leia mais na reportagem Trader, seu problema é comportamental).

Alterar submodalidade e fazer dissociação: ambas são tipos de intervenções que funcionam quando feitas ao acordar ou antes de dormir. São exercícios de modificação de modo de ver e de sentir uma situação que te causa ansiedade. Pela alteração de modalidade, você modifica sua percepção negativa de um fato, diminuindo o poder de impacto dele sobre você. Já a dissociação propõe que você se coloque numa cena incômoda, mas você se duplica e passa a ver a cena como um expectador, de fora (esses dois exercícios estão explicados com mais detalhes aqui, em um vídeo de nosso Instagram).

 Criar âncoras de relaxamento: é um recurso interessante em que você associa uma sensação boa de relaxamento a um determinado ponto do seu corpo. Feita essa associação, você poderá sempre acioná-lo quando precisar diminuir sua ansiedade. Essa é uma descrição simplificada desse recurso, mas que você como aluno da OneWay poderá acessar com detalhes. Por fim, tão importante quanto exercícios psico-comportamentais desse tipo, é fazer um plano de trading para não ficar exposto a emoções, sentimentos e comportamentos quando o mercado esquenta. Ter esse plano é o que vai te impedir de racionalizar na hora da operação. Criar um plano bem-feito e segui-lo é grande parte da eficiência acima da média da #FamiliaOneWay. E esse tema rende uma outra reportagem que você encontra em nosso blog.

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